"A bunda, que engraçada. Está sempre sorrindo, nunca é trágica. " (Carlos Drummond de Andrade)Eu que acesso o site d'O Globo todos os dias, deparei com uma matéria interativa que pedia para o leitor fazer uma coletânea com os momentos mais marcantes de 2007. Beleza, lá fui eu. Foi quando percebi que o ano foi bem bunda. Não essencialmente engraçada como a de Carlos Drummond de Andrade, mas sim como a de Dercy Gonçalves, talvez. Uma bunda bem murchinha, que não perde a graça. Enfim, 2007 não fedeu nem cheirou. Foi bem mais ou menos, pra todo mundo.
O que houve de tão relevante? Com o perdão das citações, mas não houve nenhum 11 de setembro, o Brasil não recebeu nenhum show dos Rolling Stones e o mundo ficou bem bobinho.
Tivemos desgraças, como sempre, como o caso do garoto João Hélio, o desabamento do Rebolças e do metrô de São Paulo, a crise na política (novidade), o acidente da TAM etc. Mas nada que parasse o mundo.
E o que era pra ter sido fundamental para o nosso crescimento, não foi. Como a garantia de melhora econômica com os jogos panamericanos, a eleição do Cristo Redentor como maravilha do mundo e até a vinda do Papa no Brasil. Mas ao invés disso, o país inteiro fez gracinha decorando todas as frases de Tropa de Elite e comprando a Playboy da Monica Veloso. A Camila Pitanga virou rainha. Hugo Chavez virou o bobo da corte. Al Gore virou Jesus e Britney Spears virou... sei lá o que ela virou. A propósito, o show do The Police foi bastante borocochô.
Ou seja, tivemos um ano tranquilo, mantendo um bom nível de transformações (exceto as climáticas) mas a verdade seja dita: 2007 não ficará marcado na memória de ninguém. Apenas para aqueles que tiveram filhos, casaram, divorciaram, conseguiram (ou perderam) o emprego, passaram no vestibular, perderam a virgindade (ou o BV) ou ganharam na loteria.

